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Caso Clínico de Distoclusão associada com mordida aberta e cruzada unilateral tratada com Ortopedia Funcional dos Maxilares.

Mini Conferência do ORTO - SPO - 10/2006

                  

Os Princípios Fundamentais da Ortopedia Funcional dos Maxilares1 vista através da Reabilitação Neuro-Oclusal2 estão firmados na Excitação neural Mudança de postura e na Mudança de postura terapêutica 1, 3.

A língua e o complexo hióideo são muito sensíveis ao comportamento mandibular. Há interação entre as posições da língua e mandíbula, do pescoço, das ATMs, da região infra-mandibular, da passagem de ar, da cabeça e da coluna vertebral, portanto, do corpo. Essa interação compõe o octógono da prioridade funcional1.

Os estímulos proprioceptivos e exteroceptivos da área orofacial, quando alterados por hábitos viciosos, provocam compensações neuro-musculares e desenvolvimento de padrões funcionais inadequados, tendo como consequencia mudanças na postura mandibular, adaptações estruturais dos tecidos e desequilíbrio anatômico6.

Estes estímulos quando adequados têm respostas desejadas do Sistema Nervoso Central (SNC), que participa do crescimento, desenvolvimento, erupção dentária, postura e movimentos da língua e mandíbula 4, 5.

Existe um complexo mecanismo regulatório de retroalimentação (feedback) atuando sobre o controle e integração dos componentes esqueléticos e musculares e uma correlação cronológica entre a ocorrência das funções neuro-musculares alteradas e o restabelecimento do equilíbrio 6, 7, 8 ,9, 10.

Uma vez conhecidos os mecanismos que determinam as funções, pode-se intervir sobre os transtornos para efetuar o retorno à situação de homeostase fisiológica, buscando padrões harmônicos de respiração, crescimento, erupção dentária, atrição e mastigação 1, 2, 8, 9, 10, 11,12, 13.

As prioridades do tratamento foram: excitação neural com mudança de postura terapêutica para ajuste das bases ósseas; desenvolvimento transversal da maxila para descruzamento da mordida; estímulo de vedamento labial e orientação para eliminar o hábito de sucção de polegar.

Os aparelhos ortopédicos funcionais utilizados foram: pistas indiretas Planas compostas e Simões Network 3. O tratamento efetivo durou 24 meses, 6 meses com alta provisória e mais 24 meses de retorno ao tratamento para contenção.

Os resultados apresentados demonstraram que a prevenção como terapêutica pode garantir maior estabilidade dos resultados obtidos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.SIMÕES WA. Ortopedia Funcional dos Maxilares através da Reabilitação Neuro-oclusal. São Paulo: Artes Médicas; 2003. Vol. 1: p. 55-90; 331-348; 468-492; 493-506. Vol 2: p. 535-589, 635-796.

2.PLANAS P. Rehabilitación Neuro-Oclusal. 2ª Ed. Barcelona: Masson-Salvat; 1994; p. 137-182, 195-202.

3.SIMÕES WA. Better oral neurophysiology information gives better clinical results. Funct Jaw Orthop 1983; 8: 108-115.

4.SIMÕES WA. Propriocepção, exterocepção e aparatologia de Bimler, Franckel e Planas. Ortodontia, São Paulo, 1974; 7:153-161.

5.SIMÕES WA. Some oral neurophysiological resources applied in the use of functional orthopedic techniques. J Jap Orthod Soc 1979; 38: 40-48.

6.LAVERGNE J, PETROVIC A. Discontinuities in occlusal relationship and the regulation of growth. A cybernetic view. Eur J Orthod 1983; 5: 269-278.

7.MØLLER E. Evidence that rest position is subject to servo-control. DJ Anderson and B Matthews, Eds. Bristol: John Wright & Sons Ltd., pg.72-81, 1976.

8.PETROVIC AG, LAVERGNE J, STUTZMANN J. Nível de Crescimento Tecidual e Potencial de Resposta ao Tratamento: Rotação de Crescimento e Tomada de Decisão Terapêutica. Ortodontia 1989; 22 (1): 36-60.

9.DOUGLAS CR. Tratado de Fisiologia Aplicada às Ciências da Saúde. 1ª Ed., São Paulo, Editorial Robe, 1994; p. 51-90.

10.BARBOSA DF. O papel da Cibernética na orientação dos mecanismos de adaptação da postura mandibular. Tese de Mestrado em Patofisiologia de Órgãos e Sistemas. UNIMES, 2001.

11.JARABAK JR, FIZZEL BS. Light-wire edgewise appliances. 2ª ed. St Louis, Mosby, 1972; p. 113-158.

12.GRABER TM. The “tree M’s”: muscles, malformation and malocclusion. Am J Orthod 1963; 49: 418-50.

13.PETROVIC AG, STUTZMANN J. Análise de Lavergne e Petrovic. In: Simões WA. Ortopedia Funcional dos Maxilares através da Reabilitação Neuro-oclusal. São Paulo: Artes Médicas; 2003. Vol. 1: p. 510-520.